SINOPSE
No sertão nordestino, grupos de camponeses têm buscado reconhecimento como tribos indígenas ou descendentes de comunidades de quilombo desde a década de 1970. Dois desses grupos, vizinhos e aparentados, se autoidentificam de maneira distinta e utilizam diferentes leis federais em sua luta por reconhecimento e terra. A análise dos novos reconhecimentos revela a complexidade do discurso racial no Brasil, que difere do modelo americano, onde a designação racial muitas vezes precede o compromisso político.
A autoidentificação no Brasil é multifacetada, permitindo que indivíduos que aparentam ser brancos se identifiquem como negros, enquanto outros que parecem negros se veem como indígenas. Essa dinâmica reflete uma inter-relação entre questões raciais e legais, impactando a vida de comunidades como as que habitam as margens do rio São Francisco, em Mocambo, e na ilha de São Pedro.