SINOPSE
Um contos de Contos da selva, de Horacio Quiroga.
Leia um trecho:
Uma vez, as serpentes deram um grande baile. Convidaram as rãs e os sapos, os flamingos, os jacarés e os peixes. Os peixes, como não andam, não foram capazes de dançar, mas o baile foi na beira do rio, então os peixes se debruçaram na areia e bateram os rabos.
Os jacarés, para se enfeitar mais, usaram colares de bananas no pescoço e fumaram charutos paraguaios. Os sapos tinham espetado escamas de peixe por todo o corpo e andaram rebolando, como se nadassem. E toda vez que passavam pela margem do rio muito sérios, os peixes os provocavam com zombarias.
As rãs perfumaram o corpo todo e andaram sobre duas patas. Além disso, cada uma delas tinha pendurado no pescoço, como uma lanterna, um vaga-lume que balançava.
Mas as mais bonitas eram as serpentes. Todas, sem exceção, estavam vestidas com trajes de bailarina, da mesma cor de suas peles. As serpentes vermelhas usavam uma saia de tule vermelho; as verdes, uma de tule verde; as amarelas, outra de tule amarelo; e as jararacas, uma saia de tule cinza pintada com listras de pó de tijolo cinzento, porque essa é a cor das jararacas-do-mato. E as mais esplêndidas de todas eram as cobras-corais, vestidas com longas gazes vermelhas, brancas e pretas, e elas dançaram como serpentinas. Quando as serpentes dançavam e circulavam na ponta do rabo, todos os convidados aplaudiam como loucos.